9 de abril de 2011

"Companheiro" e a Guerrilha do Araguaia



"Companheiro" é uma música gravada por Naire Siqueira em 1970, composta em parceria com Tibério Gaspar. Recentemente a música foi gravada por Maria Eugênia e foi tema de abertura da novela "Araguaia", da TV Globo.

Como exibido no vídeo, a música serviu de alento nos campos de luta no Araguaia. A Guerrilha do Araguaia ocorreu entre meados da década de 1960 e meados da década seguinte, na região fronteiriça entre os Estados de Tocantins, Maranhão e Pará. A Guerrilha sofreu forte repressão por parte das Forças Armadas, no auge da Ditadura Militar que vigorava no Brasil desde 1964.

9 de março de 2011

As mulheres não são homens

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Boaventura de Sousa Santos *

No passado dia 8 de março celebrou-se o Dia Internacional da Mulher. Os dias ou anos internacionais não são, em geral, celebrações. São, pelo contrário, modos de assinalar que há pouco para celebrar e muito para denunciar e transformar. Não há natureza humana assexuada; há homens e mulheres. Falar de natureza humana sem falar na diferença sexual é ocultar que a “metade” das mulheres vale menos que a dos homens. Sob formas que variam consoante o tempo e o lugar, as mulheres têm sido consideradas como seres cuja humanidade é problemática (mais perigosa ou menos capaz) quando comparada com a dos homens. À dominação sexual que este preconceito gera chamamos patriarcado e ao senso comum que o alimenta e reproduz, cultura patriarcal.

A persistência histórica desta cultura é tão forte que mesmo nas regiões do mundo em que ela foi oficialmente superada pela consagração constitucional da igualdade sexual, as práticas quotidianas das instituições e das relações sociais continuam a reproduzir o preconceito e a desigualdade. Ser feminista hoje significa  reconhecer que tal discriminação existe e é injusta e desejar activamente que ela seja eliminada. Nas actuais condições históricas, falar de natureza humana como se ela fosse sexualmente indiferente, seja no plano filosófico seja no plano político, é pactuar com o patriarcado.

A cultura patriarcal vem de longe e atravessa tanto a cultura ocidental como as culturas africanas, indígenas e islâmicas. Para Aristóteles, a mulher é um homem mutilado e para São Tomás de Aquino, sendo o homem o elemento activo da procriação, o nascimento de uma mulher é sinal da debilidade do procriador. Esta cultura, ancorada por vezes em textos sagrados (Bíblia e Corão), tem estado sempre ao serviço da economia política dominante que, nos tempos modernos, tem sido o capitalismo e o colonialismo. Em Three Guineas (1938), em resposta a um pedido de apoio financeiro para o esforço de guerra, Virginia Woolf recusa, lembrando a secundarização das mulheres na nação, e afirma provocatoriamente: “Como mulher, não tenho país. Como mulher, não quero ter país. Como mulher, o meu país é o mundo inteiro”.

Durante a ditadura portuguesa, as Novas Cartas Portuguesas publicadas em 1972 por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, denunciavam o patriarcado como parte da estrutura fascista que sustentava a guerra colonial em África. "Angola é nossa" era o correlato de "as mulheres são nossas (de nós, homens)" e no sexo delas se defendia a honra deles. O livro foi imediatamente apreendido porque  justamente percebido como um libelo contra a guerra colonial e as autoras só não foram julgadas porque entretanto ocorreu a Revolução dos Cravos em 25 de Abril de 1974.

A violência que a opressão sexual implica ocorre sob duas formas, hardcore e softcore. A versão hardcore é o catálogo da vergonha e do horror do mundo. Em Portugal, morreram 43 mulheres em 2010, vítimas de violência doméstica. Na Cidade Juarez (México) foram assassinadas nos últimos anos 427 mulheres, todas jovens e pobres, trabalhadoras nas fábricas do capitalismo selvagem, as maquiladoras, um crime organizado hoje conhecido por femicídio. Em vários países de África, continua a praticar-se a mutilação genital. Na Arábia Saudita, até há pouco, as mulheres nem sequer tinham certificado de nascimento. No Irão, a vida de uma mulher vale metade da do homem num acidente de viação; em tribunal, o testemunho de um homem vale tanto quanto o de duas mulheres; a mulher pode ser apedrejada até à morte em caso de adultério, prática, aliás, proibida na maioria dos países de cultura islâmica.

A versão softcore é insidiosa e silenciosa e ocorre no seio das famílias, instituições e comunidades, não porque as mulheres sejam inferiores mas, pelo contrário, porque são consideradas superiores no seu espírito de abnegação e na sua disponibilidade para ajudar em tempos difíceis. Porque é uma disposição natural. não há sequer que lhes perguntar se aceitam os encargos ou sob que condições. Em Portugal, por exemplo, os cortes nas despesas sociais do Estado actualmente em curso vitimizam em particular as mulheres. As mulheres são as principais provedoras do cuidado a dependentes (crianças, velhos, doentes, pessoas com deficiência). Se, com o encerramento dos hospitais psiquiátricos, os doentes mentais são devolvidos às famílias, o cuidado fica a cargo das mulheres. A impossibilidade de conciliar o trabalho remunerado com o trabalho doméstico faz com que Portugal tenha um dos valores mais baixos de fecundidade do mundo. Cuidar dos vivos torna-se incompatível com desejar mais vivos.

Mas a cultura patriarcal tem, em certos contextos, uma outra dimensão particularmente perversa: a de criar a ideia na opinião pública que as mulheres são oprimidas e, como tal, vítimas indefesas e silenciosas.

Este estereótipo torna possível ignorar ou desvalorizar as lutas de resistência e a capacidade de inovação política das mulheres. É assim que se ignora o papel fundamental das mulheres na revolução do Egipto ou na luta contra a pilhagem da terra na Índia; a acção política das mulheres que lideram os municípios em tantas pequenas cidades africanas e a sua luta contra o machismo dos lideres partidários que bloqueiam o acesso das mulheres ao poder político nacional; a luta incessante e cheia de riscos pela punição dos criminosos levada a cabo pelas mães das jovens assassinadas em Cidade Juarez; as conquistas das mulheres indígenas e islâmicas na luta pela igualdade e pelo respeito da diferença, transformando por dentro as culturas a que pertencem; as práticas inovadoras de defesa da agricultura familiar e das sementes tradicionais das mulheres do Quénia e de tantos outros países de África; a resposta das mulheres palestinianas quando perguntadas por auto-convencidas feministas europeias sobre o uso de contraceptivos: “na Palestina, ter filhos é lutar contra a limpeza étnica que Israel impõe ao nosso povo”.

* Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

8 de março de 2011

8 de março: origens e atualidade

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6 de fevereiro de 2011

Em 1999 houve puxão de orelhas ao Brasil, representado pela figura de seu Presidente .....

Em 2009, 10 anos depois, a presidência de Estados Unidos e Brasil eram ocupadas por outras pessoas e a situação era bem diferente .....
 
Notaram uma "sutil" diferença?

6 de novembro de 2010

Presidente Serra

No dia 02 de Janeiro de 2011, um senhor idoso se aproximou do Palácio da Alvorada e, depois de atravessar a Praça dos Três Poderes, falou para o "Dragão da Independência" que montava guarda: 
_ Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra. 
O soldado olhou para o homem e disse: 
_ Senhor, o Sr. Serra não é presidente e não mora aqui. 
O homem disse: 
_ Está bem.
E se foi. 

No dia seguinte, o mesmo homem idoso se aproximou do Palácio da Alvorada e falou com o mesmo Dragão: 
_ Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra. 
O soldado novamente disse: 
_ Senhor, como lhe falei ontem, o Sr. Serra não é presidente e nem mora aqui. 
O homem agradeceu e novamente se foi. 

Dia 04 de janeiro ele voltou e se aproximou do Palácio Alvorada e falou com o mesmo guarda: 
_ Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra. 
O soldado, compreensivelmente irritado, olhou para o homem e disse: 
_ Senhor, este é o terceiro dia seguido que o Senhor vem aqui e pede para falar com o Sr. Serra. Eu já lhe disse que ele não é presidente, nem mora aqui. O Senhor não entendeu? 
O homem olhou para o soldado e disse:
_ Sim, eu compreendi perfeitamente, MAS EU ADORO OUVIR ISSO!!!
O soldado, em posição de sentido, prestou uma vigorosa continência e disse: 
 _  Até amanhã, Senhor!!!

1 de novembro de 2010

Dilma Rousseff: Presidente eleita do Brasil

Dilma alcançou 56,05% dos votos válidos e vai dar continuidade ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Não há de se esperar que o governo de Dilma avance mais à esquerda, mas algumas ações nesse sentido devem ser empreendidas. As forças políticas que apoiaram Dilma se encontram no espectro de centro-direita a centro-esquerda e seu governo se balizará nesses limites. Não se pode deixar de destacar simbologia de se alçar uma mulher ao posto principal da República num país com uma carga de machismo tão grande. 

A política deve deixar de ser algo "sacralizado" no Brasil. Deve ser mais naturalizada, fazer parte do dia-dia das pessoas. Grande parte da visão negativa que permeia nossa população é oriunda da imprensa que pasteuriza todos os políticos em épocas de escândalos, contribuindo para o não fortalecimento de nossas instituições (justiça, polícia, legislativo, etc.). As coberturas deveriam separar o joio do trigo e abrir espaço para o pronuniamento dos representantes de nossas instituições, ouvir todos os lados e não ficar fazendo elucubrações vazias de conteúdo, meramente especulativas.

Dilma é nossa nova Presidente a partir de 1º de janeiro de 2011. Já precisamos trabalhar agora por nossas cidades em 2012. 

Saudações e Parabéns à Presidente Eleita do Brasil! 

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